A PONTE DO ARCO-IRIS

                          A  PONTE  DO ARCO-IRIS


Nesta pagina voce pode comentar sobre o seu melhor companheiro de 4 patas que cruzou a Ponte do Arco-Iris e agora estao saltitando e brincando com outros amiguinhos. 
Outros artigos referem-se a pessoas que se destacaram, mesmo anonimamente para salvar vidas com a ajuda de animais, para acolher animais em sofrimento, para protestar conta injusticas cometidas contra seres inocentes e indefesos, pessoas que dedicaram todas suas vidas aos animais.
Todos vamos morrer um dia, mas o amor que temos, levamos conosco e assim os nosso animais.
Foto Sueli Nolle

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A Ponte do Arco-Iris
foto ilustrativa somente 

fotos da internet ilustrativa somente


Outro dia eu estava em um site vendo obras de arte. Todos os tipos de mídia, pinturas na tela em oleo, acrilico, aquarela, pinturas em madeira, esculturas. Digitei a palavra "homeless animal", que significa "animais sem lar". Centenas de obras de arte apareceram mas a primeira delas foi um quadro chamado "A Ponte do Arco-Iris". Fiquei encantada e comovida.

A artista pintou um quadro simples: dois penhascos, de um lado um lugar meio escuro e sem cor. Do outro lado, um lugar lindo cheio de flores, árvores, gramados. Entre os dois penhascos havia uma ponte linda, com todas as cores do arco-íris. Do lado cinza vinha a figura de uma mulher de braços abertos ao encontro de um cachorrinho que parecia conhecê-la. Essa pessoa estava cruzando a ponte e ao encontro dela, a artista desenhou um monte de cachorrinhos e gatinhos cruzando a ponte para receber o ser humano.

A artista explicou o quadro, mais ou menos com as seguintes palavras: 
"Diz a lenda que quando nossos animaizinhos morrem, eles cruzam uma ponte chamada Ponte do Arco-Íris, de modo que quando Deus nos leva, nos também vamos cruzar essa ponte e encontrar com nossos amiguinhos."

O quadro original foi vendido e agora está sendo apenas impresso. A artista acrescentou que o quadro homenageia a todos que se sacrificam, trabalhando, resgatando, cuidando, protegendo, acolhendo e dando amor e carinho, ou um lugar seguro e aconchegante a um animalzinho carente.

Os adeptos do hinduísmo homenageiam todos os anos, em Agosto, os cachorros, enfeitando-os com colares de flores, jogando essências perfumadas nas cabecinhas dos peludinhos. Eles acreditam que os cachorros ficam na passagem para outro plano conduzindo as almas para o paraiso.

Podemos concluir e mesmo encontrar o consolo que precisamos para visualizar que a lenda pode ser verdadeira. Talvez exista realmente um lugar lindo e que para alcançá-lo você deve cruzar uma ponte chamada Ponte do Arco- Iris, onde nossos amiguinhos que partiram nos esperam para nos dar as boas vindas.

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QUANDO VOCÊ PERDE SEU ANJINHO DE 4 PATAS



O Kiko veio para minha casa num momento de muita dor, foi na semana em que meu querido pai disse adeus. Quando o Kiko chegou, estava magrinho, um cachorrinho tímido, bonzinho, educado. Chegou acanhado, numa mistura de medo e timidez, mas pareceu se sentir seguro de que era realmente um lar verdadeiro. Meus sobrinhos ficaram encantados. Minha mae nao queria mais animais pois sofria muito quando eles partiam. A maioria dos nossos cachorros morreram de velhice ou subitamente. Então, quando o Kiko chegou, imediatamente fui acariciar, conversar com ele, e insisti com minha família para ficar com ele. E ele ficou. Minha irmã ficou cuidando do Kiko enquanto eu estava morando em outra cidade. Nunca deixamos ele sozinho. E se tivessemos que viajar, ele estava conosco. Muitas vezes iamos a festas, ou algum evento, e nos apressavamos para voltar logo para casa com cuidado no bichinho. 
Kiko morou na rua, talvez tenha sido abandonado mas sabíamos que tinha sinais de maus-tratos e uma vez a veterinária nos disse que talvez ele tivesse sido atropelado, ou levado um chute, ou arremessado em alguma parede, ou espancado, hipóteses que confirmamos pois ele tinha medo de vassouras e nao gostava de crianças. Constataram nos exames que a coluna cervical dele tinha um certo "probleminha" e que tinha uma hérnia no disco. Nos aconselharam apenas a nao deixa-lo subir e descer escadas e receitaram mais remédios. "Infelizmente" nos seguimos esse conselho, não procuramos um tratamento adequado, firme, alternativo... nada. Durante 11 anos, Kiko ficou conosco. Devido a essa falha de nossa parte, o Kiko sofreu muito nos ultimos meses. Começamos então procurar por "conta própria" tratamento alternativo, acupuntura, ozonioterapia.....tudo para que ele se sentisse melhor. Quando era examinado pelos veterinarios, apenas remedios para tirar a dor, para amenizar a dor que ele sentia. Sentimos tanto não termos procurado um tratamento no dia em que ele pela primeira vez chegou em nossa casa, 10 anos antes. Arrependimento e remorso. Nenhum veterinário nos aconselhou uma cirurgia, pois essa poderia ter sido feita e evitado o que aconteceu em início de março de 2018. Kiko sofreu demais, ele tinha água nos olhos e descobri que água nos olhos significa DOR constante. Ele abria a boca muitas vezes durante o dia como se estivesse bocejando, descobri que abrir a boca no máximo significa DOR AGUDA E INTENSA. Ele bebia sua própria urina e descobri que era o COMEÇO DO FIM.  
Ele foi piorando, embora estivesse na ozonioterapia/acupuntura. Ele não respondia ao tratamento porque sua saude ja estava comprometida. Nao dormiamos direito ha meses. sempre nos revezando para cuidar dele com carinho, com amor. Levando sempre no veterinário e sempre os remédios e remédios e nunca combatiam a causa. 
No dia que ofereceram uma cirurgia, era muito tarde, iria agravar mais ainda e de qualquer maneira eles iam ter que cortar nervos e com sua saúde fragilizada, não aceitamos. Para quem ler esse relato, por favor, observe bem seus animais, se eles tiverem um problema, façam o possivel e o impossivel enquanto ha tempo. 
Nos últimos dois dias de sua vida, Kiko perdeu totalmente o movimento das quatro patinhas, seus rins já estavam parando de funcionar, ele ficou cego, e num ESTADO DE DOR AGUDA. Assim mesmo quando fazíamos de tudo por ele, quando passamos a mão na cabecinha dele, ele ainda respondia demonstrando o quanto nos amava. Chegou um determinado momento, que o sofrimento dele era tão intenso que ele tinha que morder um ossinho de borracha como se para aguentar firme a dor que ele sentia. Na penúltima vez em que o levamos a clínica, dois especialistas examinaram e  foi nesse momento que tomei consciência do que estava acontecendo. Eu tinha esperança nos tratamentos, nos remédios, nos suplementos. O veterinário especialista me pediu para sentar. Perguntei se o Kiko voltaria a andar, a resposta foi negativa, o Kiko jamais voltaria a andar. O veterinário me explicou o sofrimento do Kiko em detalhes. Me disse que devido a lesão na coluna cervical e nas "hernias" e "bicos de papagaio" afetou totalmente os órgãos vitais dele. A tomada de consciencia doi profundamente. De repente, eu ouvi um soluço alto. Percebi que era eu, chorando e chorando muito. Nao consigo acreditar que durante todos aqueles anos, não nos passou pela cabeça em procurar um especialista. Eu e meus irmãos sofremos muito com isso e nos culpamos e eu continuo com essa culpa. Não fizemos o que deveria ter sido feito, não fizemos a coisa certo, os veterinários realmente não abriram nossos olhos. Eu nao culpo os veterinários, mas fiquei extremamente triste e aborrecida comigo mesma por não ter pressionado os veterinários a nos aconselharem desde o inicio, um tratamento que poderia ter salvo a vida do Kiko, hoje ele ainda estaria vivo. O Kiko tinha aprox. 12 anos de vida e uma senhora na clínica que também tinha uma cachorrinha de 12 anos a qual tinha feito cirurgia e estava bem, me disse: O Kiko não está tão idoso assim....E me disse que o veterinário estava otimista pois a cachorrinha tinha saúde e a cirurgia foi um sucesso. Kiko chegou ao extremo da dor e sofrimento e nos disseram que seu estado iria piorar. Pedi para dar ao Kiko um analgesico mais forte, para que ele ao menos conseguisse dormir. E o levamos para casa. Naquela noite, ele já comia bem pouco, o deixamos confortável e ele dormiu com tranquilidade. 
Tivemos que tomar uma decisão muito difícil: a eutanásia. Eu costumo dizer "colocar para dormir". Eu e minha família decidimos a duras penas que o Kiko sofria muito, que não havia mais outro meio, nos perguntamos se teríamos esse direito de colocar o Kiko para dormir., de apressar sua partida e evitar mais sofrimentos a ele.  Nos perguntamos também, se, por outro lado, teríamos direito de deixá-lo sofrer mais tempo? Foi a mais dificil decisão que tivemos que tomar na vida. 
Em sua última noite em nossa casa, eu rezei o rosário, pedindo a Deus para que o melhor fosse feito, que quando o Kiko dormisse, não ficasse assustado ao cruzar a Ponte do Arco-Iris. Era meu unico consolo, rezar.
Eu me despedi dele, chorando em cima de sua cabecinha. Nao tive coragem de ir. Mas minha família me disse que os veterinários trataram o Kiko com carinho e que seu corpinho também seria tratado com respeito e dignidade. Eles nos garantiram e foi realmente assim. 
O Kiko dormiu tranquilamente, ja nao sofre mais. Nos estamos sofrendo a perda de um animalzinho tão doce, tão bonzinho, tão educado, e o olhar de amor dele ficou em nosso coração e lembrança para sempre. Nunca hei de me perdoar por não ter tido a consciência de que o Kiko precisava de cuidados, mesmo fazendo todo o possível,  nunca foram suficientes. 
Por isso, por favor, não repitam o meu erro. Nos achávamos que estávamos fazendo tudo certinho nestes 11 anos que ele ficou conosco. Qualquer pequeno mal estar, corríamos nos veterinários e a resposta que precisavamos nunca ouvimos da parte deles. Eu lamento tanto porque gosto dos veterinários que cuidaram dele, eram muito compassivos, ajudaram o máximo que puderam, mas no fundo em minha humilde opinião, tenho comigo que poderiam ter feito melhor pelo meu filhinho, anjinho de 4 patas. 
Eu sei que isso vai pesar no meu coração por longo tempo, os meus irmãos se sentem assim exceto com a única certeza de que abreviamos o sofrimento de um ser vivo, que tinha amor incondicional, que foi abandonado, que foi maltratado. Contudo, fez parte de nossa vida, brincava, corria, latia para os gatinhos, gostava de estar sempre perto, assistia TV conosco, tirava uma soneca sempre que tiravamos uma soneca, viajava conosco e não posso definir a inocência e o amor de uma "criancinha" e o sofrimento de perde-lo dessa maneira. 
Ele sempre foi e sempre será parte de nossa família, sempre pensamos nele em primeiro lugar. Meu querido bichinho, sei que Deus o recebeu de braços abertos, perdoe-nos, te amamos muito e nunca vamos esquece-lo, a saudade e sua falta a cada dia vai aumentando mais e mais.  Fizemos o melhor por você, mas não foi suficiente. Kiko (2007-2018).

por Marli LIma
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PROTETOR FABIO VICENTINI

Retrato, perfil, Protetor Fabio Vicentini, foto autorizada pela familia Vicentini.
13/ Dezembro/2016

Nossa homenagem a um jovem garoto, Fabio Vicentini que tinha compaixao e amor ao proximo, especialmente aos seres indefesos: os inocentes animais.

Fabio fazia parte de um grupo de pessoas que se extendem pelo mundo inteiro, um protetor e ativista que lutava pelo Bem dos animais.

Nosso mais profundo respeito a esse menino formoso que Deus tomou para si e o levou dia 13 de dezembro de 2016. Fabio era uma pessoa que veio ao mundo para brilhar. E brilhou! Apesar da saude fragil, ele foi acima de tudo, um vencedor porque acreditava num mundo melhor.

Queremos deixar registrado nessa pagina singela, o nome de Fabio, que lutou tantos anos e venceu muitas batalhas. Um pedacinho do amor incondicional e do coracaozinho dos animais que ele tanto amava foi junto com ele. Para toda familia e amigos que tiveram o privilegio de conhece-lo, nossas condolencias, lembrando com carinho e a certeza de que Fabio cumpriu sua parte e sua missao e com essa certeza, esta em um lugar iluminado e cheio do amor de Deus.

Marli Lima e equipe do blog Companheiro de 4 Patas-S.Paulo.
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PROTETORA SANDRA MARELLI

Protetora Sandra Marelli falecida em dezembro de 2016, foto email Cesar Fausto
05/ Dezembro/2016

"Descanse em paz Sandra Marelli , obrigada por tudo que fez pelos nossos anjos de 4 patas. Uma protetora seria, comprometida com a causa animal, antigamente éramos poucos, havia mais união e não tantos egos como hoje, fará muita falta." 
Por Arlete Martinez.


A protetora Sandra Marelli faleceu em 05/12/2016. Quando perdemos uma protetora de animais, um pedaco de todos protetores, ativistas, simpatizantes, tambem vai junto com ela. Quando perdermos uma protetora de animais, os animais tambem perdem. E os animais sao os que mais vao sentir no fundo de seus coracoes inocentes, quando Deus leva um protetor. 
Ajudem os protetores de animais do Brasil, pois protetor eh aquele que protege, com amor, sacrificios, e o fazem com alegria e muitas vezes sacrificando sua vida pessoal para socorrer seres inocentes. 

Que descanse na santa paz de Deus. A senhora cumpriu sua missão.
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DEDICO AS PESSOAS QUE TIVERAM UM ANIMALZINHO POR UM BREVE MOMENTO MAS O AMOR E O CARINHO DESSAS PESSOAS FICA ESCRITO PARA SEMPRE.
MENSAGEM DE NATAL DE 2014 DO COMPANHEIRO DE 4 PATAS.


"A todos voces meus mais sinceros sentimentos. Fiz o melhor que pude pelos animaizinhos, entrei em lixao, passei por matas e matagais, debaixo de carros enferrujados e velhos , em construções. As vezes tive que pedir ajuda a policia, a policia rodoviária, as pessoas que passavam para poder resgatar animais abandonados, acolher e cuidar. 
Sei que combati o melhor combate, como diria S.Paulo, o Apostolo. Tive que dizer adeus tantas vezes mas nunca desisti de continuar lutando por eles, seres inocentes. Sei que cruzaram a linda ponte do Arco-Iris e voltaram para os braços do Criador. 
Muito duro para quem fica, mas existe alguma energia muito maior, um Ser Superior que sabe o que faz e isso sempre me consola. Quero que voces reflitam nas suas perdas. Eu perdi varias batalhas, mas não desisto de vencer a guerra contra a violência, os maus tratos, a tortura, o abandono, desfazer de um animal ja acostumado a ter um lar, a negligencia, a ignorância. 
Quero, de todo coração que minhas palavras entre no coração de vocês e levem em consideração os Zoonoses com superpopulação. Quero que revejam seus conceitos ao visualizar a triste realidade de abrigos, de protetores falidos passando fome com seus animais, quero que visualizem as terríveis usinas de animais, industria de animais para vender. Quero que visualizem a fome, o canibalismo, a mentira de falsos protetores, de políticos imundos fingindo serem amigos de animais para ganhar votos sabendo que esses mesmos animais se encontram no mais absoluto estado de penúria.
Pensando assim, eu fico mais forte e tenho esperança que todos voces voltem a pensar em adotar um animalzinho porque eu tenho uma certeza que quase posso segurar em minhas mãos: se o seu peludinho puder ver, ele ou ela vai ficar alegrinho e pular de saber que voce não o esqueceu mas que ajudou outro a ter um lar. Visualizem o doce e o mais profundo amor refletido nos olhos de um animal e voce vai voltar a ser feliz e pensar em adotar novamente.

Feliz Natal e Feliz Ano Novo 2015
Sueli Nolle

Companheiro de 4 Patas"
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Por Lucia Helena R.Ferreira

LENDAS DO SEU LUIZ



Na minha família sempre tivemos animais em casa e o meu pai era decididamente o "culpado" por aquele pequeno zoológico, melhor dizendo, santuário.

Meu querido e amado pai era uma pessoa que falava as coisas com seriedade e as pessoas caiam na risada. Ele tinha aquele jeito de cearense, que eu considero o povo mais engraçado do Brasil, mas cada palavra era pronunciada contendo alguma sabedoria. Para exemplificar, um dia estávamos sentados em uma das barraquinhas da praia, ele era quieto, só observava e de repente ele virou para mim disse:
- Nunca entregue uma arma de fogo para um macaco. Ele vai sair e atirar para todos os lados, causar um alvoroço danado e não vai parar ate acabar as balas. 
Todos caímos na risada. 

Meu pai, qualificava as pessoas sempre usando nomes de animais. Hoje eu vejo, o quanto meu pai estava errado, ele em sua inocência, estava ofendendo os animais. A palavra "cabra" era usada para homens e "cabra da peste" para homens de mau-caráter. 

Meu pai tinha um jeito de "xingar" usando como vocabulário, o animais, não falava palavrões quando estava nervoso. Ele usava uma expressão que eu considero extremamente ofensiva e ele sabia disso..."vá para a baixa da égua", ele usava essa expressão como um ultimo recurso. Ou ele dizia "aquela mulher esta parecendo uma siriema" (ave no nordeste que tem as pernas finas). 

Ao se referir ao diabo, ele dizia "esse cão ".  Ele se referia ao cão quando pega a doença da raiva. O vocabulário dos meus pais era engraçadíssimo..As vezes, eles, meus tios, quando avistavam uma pessoa triste e deprimida no caminho, eles diziam "di ondi saiu aquele tao dekedente?!".  Dekedente significa "decadente", pressupõe-se uma pessoa que esta na pior, moral e financeiramente. 

Quando eramos crianças, minha mãe maravilhosa, minha querida mãe trabalhava como costureira, diga-se de passagem, uma senhora costureira e artesã. Meu pai precisava trabalhar como caminhoneiro. Então, nessa estradas do Brasil dos anos 50, meu pai se deparava com animais órfãos. Ele trazia todos para casa, de forma que tínhamos coelhos, tartarugas, gansos, preazinhos, uma oncinha e pasmem, uma cobra!

 Meu pai era amigo da cobra mas a respeitava como animal selvagem. Um dia a cobra foi "malcriada" com ele. Meu pai decidiu que já estava na hora de a cobra voltar para a vida selvagem. Meu pai adorava deixar as pessoas curiosas. Ninguem sabe onde ele jogou a tal cobra e ele morreu com esse segredo. Durante o almoço, naquele dia em que ele devolveu a cobra a natureza, minha mãe serviu bifes de figado. E meu pai virou e disse com jeito de moleque levado:
- Ginah, esse não seria os restos da cobra???
Por conta disso, meu irmão nunca mais comeu bifes de figado.

Meu pai nasceu numa vila no Ceara interior do Nordeste, na fazenda do meu avo. Era um jovem respeitadíssimo, andava muito bem vestido e orgulhoso. Meu pai eram um homem formoso, bonito, tinha aqueles olhos cor de mel, cabelo pretinho e o bigode que intimidava as pessoas. Quando ele tinha 75 anos, eu e ele estávamos caminhando na rua e a Dona Augusta portuguesa estava lavando a frente da casa.
- Ei seu Luiz, cada dia mais bonito hein?..
Meu pai ficou serio e disse com aquele jeito de nordestino que só ele tinha:
- Oras ...

Na fazenda do meu avo, tinha muitos animais e nas redondezas ainda se avistavam onças e animais selvagens. No interior do Nordeste tem a parte de pequenas montanhas, chamadas Serra ou Serrota. Um lugar fresquinho com muitas arvores, rochas, e isso atraia pássaros, pequenos mamíferos para fugir do sol que castigava a região. 

Um certo dia, os amigos de papai disseram que haviam avistado uma onça nas redondezas da Serrota, andava a devorar pequenos mamíferos. Então, convidaram meu pai para ir na Serrota caçar e matar a onça. Meu pai me disse que eles andaram um bom tempo ate que numa certa distancia viram o animal, uma onça adulta, enorme. Um dos amigos já estava prestes a atirar e meu pai disse, "não, deixa ela comigo". Quando meu pai falava era uma ordem. Ele se ajoelhou e mirou a onça, o tiro ia ser certeiro. Nesses segundos, ele disse que ficou admirando aquele animal lindo, exótico, majestoso. Ele então se ajeitou, apontou e atirou...e errou o tiro. Os amigos ficaram decepcionados, saíram resmungando e tal. A onça evidentemente fugiu se embrenhando nas matas e nunca mais foi vista. Meu pai disse que errou propositadamente.

Um vez, meus avos deram um cavalo de presente a ele.  Ele tinha muito zelo com esse cavalo, muito bem cuidado, escovado. O cavalo era muito bravo e aceitava somente meu pai para montar nele.  Um dia, o padre da igrejinha local veio visitar a família e como todo bom padre, ficava para o almoço. E o padre, segundo meu pai, era um homem teimoso. Depois do almoço, o padre queria dar um volta a cavalo e escolheu justamente aquele que meu pai cuidava com tanto carinho.   Meu pai tentou impedir e  avisou diversas vezes:
-Padre, eu aconselho a não montar nesse cavalo. 
O padre insistiu e meu pai disse com firmeza:
- O senhor pode montar outros cavalos, menos esse. 
O padre riu e disse que queria montar naquele cavalo que pertencia a meu pai. Não teve jeito, mandaram trazer o cavalo. Meu pai colocou a sela e avisou uma vez mais:
- Padre não monte nesse cavalo. 
O padre ignorou e montou! Em questão de segundos o cavalo percebeu que não era meu pai e deu um relincho alto e  arriou para traz derrubando o padre.  Meu pai correu para ver se o padre tinha se machucado. O padre estava ok. Meu pai então dizia, "não falei padre? eu não avisei? esse cavalo só aceita eu, ninguém aqui se atreve a montar nesse cavalo!". 

Meu pai era um homem empreendedor, aconteceu uma seca no Nordeste e  decidiu levar minha mãe para S.Paulo. E assim foi. Quando vieram as crianças, eu e meus irmãos, meu pai teve que trabalhar de caminhoneiro. Foi nessa época  que eu,  aos 5 anos, conheci a beleza dos animais e o amor que um ser humano pode dar a eles. 

Havia um zoológico na Vila Maria, zona norte de S.Paulo, meu pai levava sempre a família para ir naquele zoológico. Meu pai tinha pena daqueles animais, o zoológico era sujo, os animais ficavam confinados em espaços pequenos ate que finalmente a prefeitura mandou fechar o zoológico. Um zoológico maior foi construído e era o passeio preferido da família.  Meu pai era capaz de ficar parado por um longo tempo observando um animal. Ele me pegava no colo para eu poder ver os animais e apontava as características de cada um deles, rindo e feliz.

Ao longo dos anos, meu pai ficava amargurado ao ver um animal abandonado ou idoso. Em 2008, aos 80 anos, Deus fechou os olhos do meu pai. Ele morreu rápido, caiu e morreu. Ficamos todos arrasados com a morte dele. Eu e meus irmãos sempre fazíamos de tudo para agradar meu pai e minha mãe,  de forma que quando ele partiu, eu me senti desprotegida, perdida, com aquele sentimento que sempre ataca pessoas quando perde seus ente-queridos especialmente pais e filhos.

No funeral dele tinha pessoas que não conhecíamos e que diziam que meu pai tinha ajudado a eles. Meu pai amava as crianças, era contra bater em criança. Ele tinha muitos afilhados e afilhadas e no funeral todos eles foram, eram homem barbados, mulheres com crianças, jovens. Mais tarde  brincamos, o enterro do pai parecia o do Dom Corleone, lotou de afilhados e afilhadas. Esses jovens sempre o chamavam de Padrinho e muitos pediam a benção mesmo quando se tornavam adultos.

O pior momento eh aquele onde todos acompanham o caixão coberto de flores, o silencio dos passos pesados, o barulho  chega a ser insuportável de tanta dor. Um sentimento horrível nos invade por isso nos agarramos um ao outro. Nessa caminhada final, de repente uma coisa aconteceu.

Eu estava inconsolável, eu não queria aceitar, e naquele angustiante caminho ate o local de nossa família,  um cachorrinho caramelo vira-latinha surgiu e acompanhou do nosso lado o carrinho que levava meu pai. De cabeça baixa, o cachorrinho caminhava, mostrando uma tristeza imensa. E todos notaram isso. Fiquei olhando aquele animalzinho acompanhar o cortejo, logo atras, de cabecinha baixa, caminhando devagar, transparecendo uma infinita tristeza como se querendo prestar seus últimos respeitos a um ser humano que só fez bem e na boca dele não se encontrava engano e que tinha grande admiração por animais.

Procuramos o cachorrinho e não o encontramos. Eu queria leva-lo para casa e fomos olhando, e tentando acha-lo. Ele já tinha ido.
Muitas pessoas depois comentaram o fato e eu disse, meu pai amava os animais. Ele tinha pena deles, quando ele comentava comigo sobre crueldade com animais que aconteciam, ele falava com amargura e tristeza.
Foi esse o legado que meu pai deixou, que a coisa mais importante eh sempre fazer o bem. 
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IRENA SANDLER


foto Wikipedia sem ferir direitos autorais

Voce conhece a mulher da foto? Irena Sendler somente veio a ficar conhecida por volta de 1999, depois de um trabalho de escola de estudantes o qual objetivava pessoas que arriscaram a vida para salvar outros.
Irena Sendler viveu a época do horror, onde a morte, a tortura, a miséria, estavam por toda parte.
Essa senhora polonesa salvou umas 2.500 crianças de serem enviadas para os campos de morte dos nazistas.
O que chama a atencao na historia, Irena treinou um cachorro para que o mesmo quando avistasse um uniforme nazista, latisse,  como um alarme. O cachorro ficava na camionete onde ela escondia as crianças.
Irena foi indicada para o Premio Nobel da Paz mas não ganhou. O premio foi concedido a um politico americano.
Para saber mais, cliquem nos links abaixo:
http://www.hypeness.com.br/2014/08/irena-sendler-a-polonesa-que-salvou-mais-de-2500-criancas-no-regime-nazista/#

• http://www.mundogump.com.br/irena-sendler-anjo-varsovia-salvou-2500-judeus-dos-nazistas/

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